1 de maio de 2020

Série "depois da quarentena" (parte 01)

Nesta quarentena de isolamento comecei a fazer uma série de ilustrações sob o título de "depois da quarentena". Além da retomada da produção com determinada constância (pois me propus a publicar três desenhos por semana no meu instagram), o exercício de elaboração dos temas e a decisão de não atribuir-lhes significado (cada desenho é um número na série, não possuem nome, deixando a interpretação do conteúdo das imagens a quem a visualiza) fez-se também como uma forma de pensar e repensar o que está por vir... o que vem depois da quarentena.

Não sei quanto tempo mais durará o isolamento, quem sabe?

Publico agora essa primeira parte da série, com nove ilustrações, no blog porque tem outra coisa que me vem incomodando nesses dias... a saída pelo virtual, como se o virtual bastasse para substituir o vívido e quente calor humano. Cada vez mais e mais aplicativos para nos "ajudar", para nos sentirmos mais inseridos em um mundo cuja saída lógica e boa é sempre a renovação de nossos dispositivos de "união", mesmo que separados. Os discursos que circulam por aí já constatam os fatos, essa crise serve para de repente, e finalmente, nos darmos conta que a passagem para o plano virtual é a solução. Solução desejada e previsível, que apenas as cabeças retrógradas não queriam admitir. Universidade e ensino, trabalho de escritório e burocrático, tudo à distancia, tudo digital, tudo virtual. Sem custos adicionais, na verdade, aumento da produtividade. 

Acho que estamos perdendo um dos sentidos da palavra presença. 

Que me chamem de apocalíptico, mas tudo isso me faz pensar... quantas pessoas teriam que trocar de celulares para essa transformação? Quantas pessoas precisarão atualizar seus aplicativos, precisarão de mais "espaço" e terão em vista adquirir um novo dispositivo para efetivação de sua ferramenta de trabalho? Quantas "atualizarão" seus computadores também, adaptando-os a uma melhor comodidade? Quantas pessoas precisarão mesmo de um celular, dos invisíveis da fila da Caixa que nem cpf possuíam direito, até o mano ou mana que "darão entrada" em uma moto e um celular para o trabalho das entregas e deslocamentos das mercadorias? Pois as mercadorias, essa materialidade não pode parar, mesmo que o próprio dinheiro só esteja na tela.

Aí me bate um paradoxo, não são exatamente esses dispositivos tecnológicos que nos permitem as EADs, os Homeworks, os I-FOODS, que literalmente (não desculpem a expressão) estão fodendo o planeta Terra. Não é exatamente por explorar cada vez mais recursos cada vez mais complexos da natureza, sem mesmo deixar de lado matérias-primas que já vem desgastando o clima há muito tempo (como o petróleo e o carvão), que estão acelerando casos cada vez mais frequentes desses tipos de pandemia, mas também eventos climáticos drásticos (lembrem das chuvas do começo de ano que se estenderam até o período de carnaval que atingiram principalmente o sudeste). 

Quanto mais "dados" circulando (nem entrarei nesse assunto; mais aplicativos, mais dados jogados aos especuladores virtuais, sempre com o nosso consentimento), mais exploração contínua da natureza. 

Virtualizar, ainda mais com esse apelo de solução da tecnologia boa em si, é continuar o processo de autodestruição do planeta, onde os humanos parecem mesmo, em sua cronologia, serem seres mais ínfimos que as moscas, como dizia Nietzsche, mas que são mesmo, menores que os vírus.

Tudo isso para dizer que publico aqui essa série para que xs leitorxs possam, além de visualizá-los em uma maior definição (com o acréscimo das versões em preto e branco), poderão salvá-los em seus dispositivos para não mais apenas "visualizar", mas observar demoradamente seus detalhes, off-line... quem sabe até imprimi-los para colorir (ideias quarentenísticas).

Por fim, tá aí o desabafo, e que não percamos de nosso horizonte, que para mudar as coisas dadas, do ontem e do hoje, e pensar num amanhã realmente diferente, precisaremos de gente junto, lado a lado, muita gente, e precisamos estar fortes, presentes. Diziam que a revolução não seria televisionada no passado, hoje penso que a revolução não poderá ser transmitida on-line, os celulares só serão armas quando tacadas ao encontro de quem está lucrando com tudo isso. E como dizia um grupinho que sempre gostei, a revolução será uma festa, ou não será nada. 

UM



DOIS



TRÊS



QUATRO



CINCO



SEIS



SETE



OITO



NOVE












5 de agosto de 2019

Novos zines na praça!!! - Caderninho Verde e Pequenos fragmentos


Em tempos de crise necessitamos de duas coisas: dinheiro e arte.

Sobre a primeira coisa, bom, a coisa é mais paradoxal; no momento, sugiro, ou, que gastem tudo o que possuem e tentem uma vida sem dinheiro, ou, que dobrem as apostas na lotofácil... esses dois caminhos são difíceis, mas devem ter suas recompensas. Por hora, tenho tentado trabalhar como estudante de filosofia, ler e pensar, repensar e escrever...

Sobre a segunda coisa, vou continuando rabiscando e publicando nessas redes sociais que têm por aí... praticando novos instrumentos, criando pequenos trabalhos junto de grandes parceirxs e amigxs. Praticando também oficinas por aí e a lida de todos os dias de brincar com a arte em um mundo cheio de estranhamentos. E me pergunto novamente, para quê a arte? e vou rabiscando... (recomendo pra todxs vocês! Façam arte.)

Fazia tempo que eu não fazia uma zine... dei um tempo nos quadrinhos para me dedicar aos estudos sobre a possibilidade da existência em mundo tão louco como este, e tenho quadrinhado apenas quando acho importante por em ação esse “fazer” que aprendi com o tempo ... convido a lerem: a cartilha contra a reforma da previdência (clique AQUI) e a cartilha contra a reforma trabalhista (clique AQUI); feitas por inúmeras mãos, cabeças e corpos e vontade de resistir, que tive o prazer de participar.

Neste inverno resolvi por em prática a feitura de dois zines muito especiais para mim.



Em pequenos fragmentos, temos uma seleção enviada por carta dos últimos escritos do poeta recluso anti-internet Said Leoni. São quatro contos distribuídos em 16 páginas, que tive a oportunidade de editar, incluindo capa e algumas ilustrações coloridas que gosto muito.

Em Caderninho verde ou apenas retratos imaginários tento reproduzir na medida do possível, meu último caderninho companheiro de caminhadas, carinhosamente apelidado de caderninho verde, que me acompanhou de janeiro a julho deste ano. Nele, encontramos 36 retratos imaginários.


Mas a prática das zines envolve o papel, o material... aquilo que está para além do simplesmente virtual e da tela. Aí queria conversar com vocês...

Elaborei a impressão dessas zines com um investimento na qualidade, mesmo que com um acréscimo de dinheiro investido relativamente maior comparado às minhas zines anteriores, que em dez anos (2009-2019) não tiveram seu valor de 2 reais alterados, desviando de qualquer inflação possível... para horror dos economistas e empreendedores... (quem não conhece, vejam as zines de forma gratuita AQUI)

E as coisas ficaram assim:

Pequenos fragmentos - Formato: A5, capa em papel verge 120gr. colorida, miolo com 16 páginas. – preço de custo por unidade: R$ 4,50.
Caderninho verde - Formato: Bolso (14,5 x 10 cm), capa em papel verge 120gr, miolo em papel reciclado com 36 páginas. – preço de custo por unidade: R$ 4,30.

Para conseguir circular as zines, estou fazendo uma pré-venda por aqui, quem se interessar, entre em contato! Pensei em três formas de auxilio monetário:

1) Preço camarada: para quem está sem grana, quer as zines mas as coisas estão difíceis, pensei em um valor mais de boa, cobre os custos e dá para investir em outras impressões; cada zine por 10 reais + envio.

2) Preço Justo: é a medida justa, aquele valor harmônico tal qual na Grécia clássica, feito para quem está com uma graninha sobrando e quer investir em mentes criativas; um jeito de se sentir satisfeito e recompensar esse que vos escreve com aquela cachacinha extra, ou um maço de cigarros, uma marmita, um cineminha... essas coisas sabe... o “preço justo” para cada zine é 15 reais + envio.

3) O sonho do Mecenato: esse é para quem não sabe mais como investir seu dinheiro e não se importa em gastá-lo qualquer coisa que aparece na polishop; saiba que você é um privilegiadx e o século XVII pode voltar se você quiser! Invista 50 reais ou mais nessas zines... Aí quem vos escreve poderá viajar por terras desconhecidas para representar os sonhos e delírios dessa humanidade besta, e você poderá dormir tranquilamente no conforto do seu lar sabendo que sim, você ajudou em alguma coisa que nem imagina o que é! Nem eu...

4) Para quem for fanzineirx e tiver uns materiais e queira trocar, vamos conversar... pretendo utilizar a grana da opção 1 para fazer umas cópias com o intuito de trocar materiais e ver como anda a vida em outros cantos desse Brasil doido...

Bom, é isso... se você aguentou chegar até aqui nesta postagem, parabéns! São poucas as pessoas que não se dispersam depois dos 150 caracteres! Se você ainda não está muito ansiosx para mudar de página, ver o instagram, ou a possibilidade de um status novo no whatts... acredito que não aconteceu nada de muito importante no mundo nesses minutos que você estava aqui.

Talvez, então, você queira ouvir a música que segue, da Aíla, que acho muito boa para esquentar o coração nos tempos difíceis, e no fundo, coloca bem melhor em palavras aquilo que gostaria de ter dito no começo mas me perdi...



Ahhh, se você ainda continua aqui... e gostou do papo mole... pode voltar lá pro instagram viu... não vou mais te segurar... dá uma passadinha em https://www.instagram.com/batatasemumbigo/

Há braços e pernas!

10 de março de 2018

Trilogia D.

1. desejo
2. delírio
3. deleite






26 de dezembro de 2017

Mais um ano que termina...

2017 não foi um ano fácil. O mundo explodindo à nossa volta. Perspectivas para o futuro nubladas...

mas eis que esse cartunista que vos escreve decidiu jogar-se à produção e tentar reinventar a própria roda. absorto por um instinto de tranquilidade, dediquei-me a aprimorar-me em novas técnicas, foi com grande felicidade que descobri a magia das aquarelas, ferramenta que vem me conquistando a cada nova pincelada.

o ano está no fim, e temos que estar fortes para encarar esse 2018 que adentra no horizonte. vamos que vamos.

para quem não conhece, tenho utilizado como plataforma para postagens, além desse blog mais quieto, esse endereço aqui: https://www.instagram.com/batatasemumbigo/

fiquem a vontade para conhecer!


01: "a cena - 02" - aquarela e caneta nanquim no caderninho


02: "aureliano" - caneta nanquim sobre folha de papel reciclado; inspirado por Cem Anos de Solidão.


03: "cansada" - caneta de ponta grossa no caderninho.


04: "estudo para realismo-imaginário II" - caneta nanquim no caderninho.


05: "pensando clarice" - aquarela e caneta nanquim.


06: "silhueta noturna" - nanquim aguado.


07: "(des)rosto" - pintura em aquarela.

22 de outubro de 2017

Últimos trabalhos...

Salve leitorxs desse blog encardido, sei que ando publicando pouco por aqui, mas a correria nunca é fácil e a produção vêm de encontro às vicissitudes cotidianas. Mas isso não quer dizer que não tenho produzido, ao contrário, venho desenhando cada vez mais, porém, em ritmo mais desacelerado, o que justifica menos postagens... Mas quando elas acontecem, que venham em grande quantidade.

Segue abaixo, as últimas ilustrações que tenho criado... espero que gostem. Aproveito para deixar o recado, para aquelxs que querem acompanhar minhas publicações no instagram, eis minha página: https://www.instagram.com/batatasemumbigo/

Há braços!

1. Esboço de lobo:

2. Ilustração para cartaz da apresentação: "Uivos para Allen Ginsberg":

3. Charge "eu ando tão sozinho" colorizada no Gimp:


4. Meditação 03, redesenhado e colorizado no Illustrator:



5. Auto-retrato de 23 de julho de 2017:


6. Espada de São Jorge quebrada (aquarela):


7. "Minguante" (aquarela):



8. "Amigo Imaginário nº 01" (aquarela):



9. "Ancestral":




10. "registro imaginário em um metrô japonês" (aquarela):




11. "mulher" (aquarela):




12. "esboço para um realismo-imaginário ou apenas uma mulher sentada que me apareceu na mente":






13 de agosto de 2017

Três desenhos e um recado.

Olá a todxs que acompanham esse blog.

Há algum tempo não publico por aqui, logo, mando três desenhos recentes e um recado...




O recado: fiz um perfil no instagram para postar meus trampos, isso não quer dizer que eu vá abandonar este blog, jamais! A ideia é mesmo aos poucos tentar me desvencilhar do facebook... assim sendo, não pretendo mais postar em minha página nessa rede social. Quem quiser me seguir lá no instagram, acessem: https://www.instagram.com/batatasemumbigo/


17 de maio de 2017

Ensaio sobre a incompletude – Said Leoni

andei um pouco em círculos pela cidade a fim de colocar o meu corpo em movimento já que a cabeça não consegue focar em nada, cá de volta estou na praça a ouvir o último cantar dos passarinhos antes que a noite tome forma no céu. pego a caneta e o caderno para anotar alguns versos que desenrolo livremente

desnudada a alma
o que segue é o corpo que continua a pulsar,
é que coisas da carne ficam,
mas o espírito límpido ganha altura
em vista de, em meio às nuvens,
poder autoanalisar-se

é que têm tantas coisas que me escapam
que chego a perder um pouco o rumo
...

na verdade, não sei muito bem o que tenho a dizer, é que tem uma coisa estranha se passando em minha cabeça, tirando-me o eixo, dissipando o esforço, agarrando a vontade… um não sei o quê do pensamento que faz a vista observar os caminhantes em suas pressas de fim do dia, os automóveis buzinarem-se nas esquinas e os comércios encerrarem seus expedientes. já doei cigarros de palha a mendigos e emprestei meu fogo aos maconheiros, assim a consciência devia fazer-se limpa, mas carrego algo no peito que amarra. pego então minha cachaça que vai na mala para entornar um gole, dissipo um pouco a consciência para ver se encontro um pouco de minha alma. observo um cachorro de madame a mijar por todo o canto e uma mulher catando latinhas ao redor dos bancos. em um prédio um tanto distante surge uma silhueta com a lâmpada recém-acesa e continuo sem desvendar essa sensação que me estranha, foco então o meu olhar às formas geométricas do parquinho de criança que tem dois cavalos de madeira, desses feitos para balançar, e nem essa imagem de infância traz algum resquício da lembrança daquilo que está a me perturbar.

(certa vez um amigo me mostrou um livro do kundera, o mais famoso dele, e li logo no início uma reflexão sobre o eterno retorno retirada de nietzsche. naquelas três ou cinco páginas ficou-me marcada a questão de que se tudo age em ciclos e se apenas alguns eventos são os que carregam o signo da não repetição, e por isso têm seu peso assegurado pelos livros de história, todo resto é muito leve, a vida, as alegrias e a danação. o autor perguntava-se, o que para ele era uma pergunta sem resposta até então, se podemos atribuir valor positivo ou negativo para o peso ou a leveza. como não li o livro e fiquei apenas nessa parte, não sei dizer se ele encontrou resposta para isso.)

pensando na leveza e no peso da vida, sou obrigado a abandonar o meu pouso na praça devido a uma chuva rasa que começara a cair. encontrei abrigo para a intempérie passageira em um boteco sujo no meio do caminho de minha casa. sentei ali recolhido e juntei umas moedas para tragar uma cerveja barata enquanto meus ouvidos atentavam para uma conversa na mesa ao lado. uma mulher desabafava para seu marido, amante, amigo, filho, desconhecido, não sei, a respeito do quão bagunçada lhe parecia sua vida. narrou toda uma rotina de afazeres e preocupações, cuidar do pai já muito idoso e do neto que ainda está nas fraldas, algumas dívidas acumuladas e outras coisas dessa ordem; como sentia a vida abarrotada de uma forma que nada ali entrava ou sequer saia. enquanto isso, entornava mais uma dose de bavaria no copo ainda pela metade, bebia um gole, com um esboço de deboche, “apenas um porre se encaixa”, e sorria com uma cara disforme. de repente, me vi tomado por essa encenação e, com isso, penetrou no mais profundo de meu eu o relato que acabara de me ser narrado, senti uma angústia e um lampejo de excitação na face da mulher ali defronte a mim sentada e, despropositadamente, esqueci daquilo para que até então eu não encontrara palavra. um velho de fronte sisuda e olhos opacos surgiu em meu campo de observação e atraiu de repente minha atenção, encaminhou-se para a jukebox que ladeava o balcão do bar e retirou de um dos bolsos da calça uma moeda, tilintou-a dentro da máquina e escolheu uma canção, enquanto a música não começava se postou embaixo do toldo do bar, acendeu um cigarro e ficou a observar a leve correnteza que a água da chuva formava na guia da calçada. reconheci de imediato o som mecânico que tomou o boteco e invadiu meus pensamentos, comecei a cantar internamente aquela música e, quando os versos

“a minha alucinação é suportar o dia a dia e meu delírio é a experiência com coisas reais”

se pronunciaram, veio um nó na garganta que me deixou intranquilo, esqueci-me completamente daquela mulher com sua bagunça própria, enchi meu copo já vazio com a cerveja já quente e fui em direção daquele homem que fumava. a meia distância me pus a observa-lhe as feições enquanto a música o invadia. aquele rosto outrora sisudo se tingiu de uma expressão serena e pensativa, e seus olhos fizeram-se vagos com uma sombra de umidade, analisei com mais atenção aquela figura que estava me ladeando, sua testa com uma ruga cortante de lado a lado, uma barba cinzenta e rala por lhe preencher quase que a totalidade da parte inferior de sua face, seu cigarro queimando e produzindo uma cinza que não se quebrava e só crescia de proporção, suas roupas um tanto quanto sujas e gastas preenchiam um corpo esguio cheio de veias e artérias que saltavam de seus braços. reconheci aquela figura como um lampejo de meu futuro, era o eu de aqui uns tantos anos que estava ali a observar a chuva, sem tristeza ou alegria, se debatendo apenas com a confusão de seus próprios pensamentos indizíveis. tive vontade de abraçar-lhe, colocar sua cabeça entre minhas mãos, beijar-lhe os olhos e falar-lhe que não estava sozinho, que podia contar com o seu eu ainda moço, que podiam se apreenderem juntos, caminhar na chuva em busca de algum significado para as suas frustrações, que talvez seriam felizes se morassem juntos em um quarto de um hotel fuleiro no centro da cidade, compartilhando, o mais jovem, suas esperanças, e o mais velho, suas lembranças, e com isso se completarem, sem mais nenhuma necessidade exterior a eles mesmos, que eram um.

(li ou ouvi de alguém que não me lembro a respeito de uma necessidade primordial que o ser humano tem de gritar, gritar como um urro animal, um grito nunca praticado devido às convenções sociais que desagradam esse tipo de comportamento. o grito então fora relegado apenas a momentos determinados de muita dor ou de perigo, e a sociedade ocidental inteira estava fadada a viver com uma imensa vontade nunca colocada em prática de gritar sem motivo aparente ou necessário. certa feita, caminhando pelo centro de alguma cidade onde estava de passagem, me deparei com uma cena triste em uma viela paralela a uma grande avenida movimentada: uma garotinha de menos de oito anos segurava um gato morto apertado ao peito que soluçava. em choque, desviei dessa vista pois não consigo lidar com essas coisas da morte, mesmo quando são de animais indefesos. longe dali, tive uma imensa vontade de gritar.)

um estraçalhar de vidro intromete-se em meu devaneio, a mulher com a vida bagunçada desata a berrar com seu marido, amante, amigo, filho, desconhecido, ameaça, xinga e quebra coisas a sua volta. diante dessa confusão entorno minha cerveja e seu gosto quente diluído me rasga o estômago vazio de alimento, acho que hoje não comi nada, me esgueiro da maneira mais felina possível e pego minha mala e me ponho a ir embora daquele lugar que cheira a tragédia de programa televisivo de fim de tarde, não quero ser testemunha de nada. enquanto saio, procuro o velho sisudo e percebo que ele já se foi ou desapareceu, em vista disso acredito mesmo que ele é minha encarnação de alguns anos, ou um anjo travestido de mim mesmo no futuro que estava ali para me passar algum sinal necessário que não tive tempo de compreender. ponho-me a caminho de casa a passos fracos já que a chuva diminuíra consideravelmente sobrando apenas alguns poucos pingos gordos descompassados. passo pela avenida principal da cidade e já não há tanto movimento para além de carros apressados que rasgam sinais de trânsito e cantam pneus, não sei que horas são, pois meu celular está descarregado já há alguns dias. vou me tingindo de uma grande ideia de escrever um livro, um romance que narra as desventuras de um homem de meia-idade que tem a incrível capacidade de não completar nada daquilo que se propõe, ele sempre está a desviar de seus compromissos firmados e principalmente daqueles planos que ele mesmo se impõe. o livro deveria narrar o dia a dia desse ser desencontrado no período de um ano onde nada de interessante aconteceria, mostraria as agruras de ganhar seu sustento parco serviente apenas para pagar o aluguel de um cômodo nos fundos da casa de uma idosa doente que cria trinta e oito gatos antes abandonados, alimentar-se de coisas muito baratas servidas em pratos encardidos e, com a quantia que lhe sobra, comprar cartões de felicitações que coleciona desde a adolescência, mas que nunca encontraram pessoa intimamente conhecida e merecedora de seus envios. esse homem seria feliz a sua maneira, isso é importante e essa é a grande questão que me entrava já que não consigo encontrar na minha arte poética interior a forma exata de descrever sua felicidade. talvez não haja em mim felicidade suficientemente inscrita para que eu consiga escrever a felicidade dessa personagem que me habita.

(outro dia dei de frente em uma esquina com uma oferenda de macumba, duas velas iam acesas e uma galinha se encontrava morta jazida em um prato de louça escuro. suas penas eram pretas e tinham riscos brancos em suas extremidades, seu corpo ia jogado e o pescoço torcido findava em uma cabeça com olhos revirados, crista murcha e um filete de sangue e baba saindo do bico amarelado. tinha muito sangue sobre o prato, o que mostrava que a galinha tinha sofrido uma punhalada bem dada em seu peito, talvez nem tivesse um coração ali dentro da carcaça. voltei dois dias depois àquela esquina, as velas não mais haviam, mas o corpo da galinha ali ainda permanecia. uma enxurrada de moscas cobriam feridas causadas por algum felino ou cachorro vira-latas, que, com sorte, encontrou alimento naquele não-ser-mais oferecido. nenhuma mão humana profanou aquele ato. sete dias depois, o santuário foi lavado e apagado completamente daquela esquina.)

ao passar pelo cemitério que ladeia uma das ruas que dá de encontro ao meu caminho de volta, reparo que seus portões laterais estão levemente encostados, mas não trancados, e invadido por um sentimento de curiosidade me esgueiro pela entrada daquele local, como meu medo de alma penada é muito menor do que o das sombras que minha mente contém, caminho entre os túmulos com a única pretensão de não ser percebido pela alma humana e viva que ali deve ter adentrado. não demoro muito a encontrar aquilo que procuro, prostrado em um grande mausoléu dos idos do século dezenove está uma figura esquia trajada com vestes carcomidas segurando uma garrafa em sua mão esquerda e uma vela vermelha acesa na direita. sua pele é negra e seu rosto ostenta uma longa barba branca encrespada, não tem cabelos na cabeça, e não consigo observar com clareza seu rosto devido à iluminação proveniente apenas da vela em suas mãos e da pouca luz que adentra o cemitério advindas dos postes elétricos de fora. o silêncio de repouso é cortado pela voz rouca que sai da garganta da figura, que parece discursar para os mortos, palavras que, por mim, foram assim entendidas

“a noite toma contornos fluorescentes
e as almas cantam um lamento iridescente
hoje você pode ter acordado em um dia escuro
acreditando na falta de um naco
daquilo que se pensa ser si mesmo

mas te confesso absurdo animalzinho
que se eu deixar cair esse todo de vidro que vem em minhas mãos
contra a pedra azul que se chama terra aqui estendida
ela vai desfazer-se em mil estrelas
tantas quanto as partes que em ti e em mim habitam

e se com cada caco incrustássemos na carne
com o único prazer de nos fazermos inteiros
somente uma dor quase montanha
contaminaria nosso corpo, espaço e cerebelo
porque a garrafa de vidro novamente não formaria

daqueles seres que mais se fizeram passageiros
e nunca se sentiram ao todo inteiros
belum selezai talvez seja o primeiro
já que ele vive forasteiro
nos recantos dos pássaros e de outros seres pequenos

não é poeta apesar de rimar sons
mas de poesia só entende aquele que está amando por completo
ou aquele que se tortura diariamente sem sabê-lo
belum selezai não ama e nem tortura
belum selezai só anda a catar pedaços

e se uma nuvem se junta a outra para fazer chuva
e se uma folha da árvore cai para outra poder brotar
e se um grão de areia vira ilha depois de um centilhão de anos
e se duas células que se unem formam uma criança
para belum selezai as coisas não se dão assim

a chuva, a árvore, a ilha e a criança
são todas imagens da cabeça que se quer inteiramente
a nuvem, a folha, o grão e a célula
servem então apenas para sua semelhança infinitesimal
seríamos então partes preenchidas de todos?

o que completa a vida é tão somente a morte
o que completa o círculo é o seu ponto de início
estou vivo e sei disso e ainda tenho uns outros pontos a cerzir
assim tem dito o profeta, amigo e espírito
cujo nome é belum selezai e não outro”

findadas essas palavras, com um sopro audível, a figura apagou a vela, e depois de alguns segundos ouvi a garrafa se quebrar a alguns metros de distância. saí de minha tocaia tentando reconstituir o caminho de volta para a entrada do cemitério por onde tinha passado, enquanto repetia para mim mesmo alguns dos trechos do que tinha ouvido. belum selezai… ganhei a rua e continuei meu caminho. já em casa, adentrei. e com uma exaustão tremenda joguei-me no colchão e adormeci prontamente.


(um sonho. estou em um quarto fantasmagoricamente iluminado com luz branca, distingo apenas uma diminuta janela, tão pequena que não seria possível toda essa luz advir apenas dali, vejo móveis que aparentam ser muito pesados, uma cama, uma poltrona, uma estante horizontal, e objetos espalhados cujas formas não trazem nenhum tipo de singularidade. no quarto, além de mim, reconheço um pássaro, um pequeno pardal de penugem preta com uma barriga branca. muito pequeno e frágil, parece ser ainda um filhote. aproximo-me dele a fim de espantá-lo para que ganhe a liberdade através da janela. ele não entende meu ímpeto e começa a voar em círculos, debatendo-se muitas vezes nas paredes e móveis, esganiçando um lamento triste. fico apavorado em vê-lo nessa contenda e busco a todo custo distraí-lo para o objetivo que tenho em mente, sua libertação. um tempo indefinível se dilata nessa dança entre pássaro e homem. em um momento, cansado, o pequeno pardal pousa ao lado da cama, e o homem, que sou eu, tenta pegá-lo carinhosamente pelas mãos, fazendo um movimento delicado com os dedos em busca de entrelaçá-los sob o minúsculo corpo de ave que pulsa com o furor do cansaço. devido a sua falta de destreza, a ave solta um grito e volta a voar em círculos pelo quarto, se debatendo novamente hora ou outra nos objetos que compõem o cenário. mais uma vez o pássaro desiste de suas investidas e pousa dessa vez no pé da estante. mais uma vez o homem, agora todo banhado de suor, tenta com maior cuidado capturar o pássaro com as mãos, ele balbucia palavras de conforto e assovia breves melodias para tentar acalmar o coração da ave, que quase lhe rompe o peito. mais uma vez uma tentativa frustrada. nova dança, inquietude alargada. o pássaro, puro a respeito das coisas do mundo, enfia-se embaixo da poltrona e lá parece parar de se debater. o homem, atemorizado com a possibilidade de a ave ter encontrado seu fim, grita e se desespera, tenta empurrar a poltrona ou levantá-la, mas esta é muitíssimo pesada, e nenhum de seus esforços consegue movê-la ao menos um centímetro. pega então um objeto qualquer com o qual ultrapassa rente ao chão a poltrona por baixo a fim de retirar dali o pássaro sem lhe causar nenhuma dor. a ave sai toda empoeirada e logo que vê novamente a luz, retorna seu giro pelo quarto, capenga e sem direção, com uma maior braveza que resulta em pancadas mais fortes nas paredes. o pássaro cai novamente em repouso sobre a cama. o homem não tem certeza se deve novamente tentar pegá-lo, teme pela vida do animal que lhe está defronte, tem as roupas, o rosto e os cabelos empapados de suor, o coração chega a subir-lhe pela garganta e a mente fica exausta. o homem senta-se ao lado do pássaro que pouco reage, soltando apenas alguns pios de desabafo pardálico. homem e ave se encontram. abruptamente o pássaro volta a voar. acordo.)

19 de março de 2017

(um conto sem título)

Rolou para o lado e saiu do casulo. Seu corpo todo suado e um medo crescente trazido pela luz do mundo ali fora. Não conseguia distinguir se acordara de um sonho bom ou se adormecido adentrara em um pesadelo. O corpo estranho pulsava, sentia medo e não conseguia desgarrar das cobertas. Antes se encontrava em terreno seguro e confortável, a vida era mansa e os dias transcorriam com leveza, tudo estava em seu lugar e em ordem. Mas agora, tudo parecia ser tão opaco, quase que irreal. Apercebeu-se que há muito tempo não se movia e foi esticando os membros um a um, uma centelha de alívio invadiu sua cabeça como se no meio da testa, entre seus olhos, como se sentisse seu corpo por inteiro pela primeira vez. Na medida em que o corpo esticava e as articulações estalavam, uma crescente tensão irradiou de seu peito agora arfante, uma dor que começou fraca, se intrometeu na mente e aumentou; câimbra motora avassaladora, contração e constrição – cólica do eu. Teve medo de morrer enquanto lembrava o calor afável do enrolar da cama. Era feliz, sabia disso e sentia-se completo. Agora o mundo todo se fazia de formas diferentes de antes, linhas curvas e outras tantas retas e tudo colorido. Vozes. Sons mecânicos e aves. Que mundo era esse onde mal conseguia ouvir sua própria voz? – onde o mundo era só seu. “EU” (?) E se lágrimas rolassem e pudesse voltar atrás, desfazer o tempo, desfazer seus movimentos? – Mas lágrimas não lhe saiam mais, na realidade seus olhos estavam bem abertos e as pupilas dilatavam conforme se acostumava à luz. Sentia dor, mas seu coração freneticamente batendo parecia jorrar seu sangue para fora do corpo, estava se arrebentando por dentro mas no fundo sentia um prazer cômico, como que advindo de um lado de sua personalidade que dizia que a dor ia parar quando ele se acostumasse; pois a dor era parte de sua vida agora, e isso não era ruim. Aos poucos, seu corpo se fez leve, e todo o peso que concentrava em si migrou para um ponto indeterminado das costas, era o seu peso do mundo, o peso que iria carregar de agora em diante. O peso era o mundo e o mundo também era ele. Parado, concentrou sua respiração controlando o ar que entrava e saia do peito, não iria morrer, entendeu isso e descartada essa possibilidade, tentou organizar as ideias que desvelavam em sua cabeça. Tudo parecia girar ao encontro daquilo que tinha sido e naquilo que se transformara. Inexorável. Essa palavra surgiu-lhe na cabeça corrompida de uma sensação de vazio. Não se muda aquilo que já foi, mas muda-se mesmo assim, e essa ideia da permanente mutação que parecia ser aquilo que estava vivendo naquele instante encheu-lhe de alegria, uma alegria levemente adocicada – quanto de espera cabe na palavra esperança? – notou que não estava pensando coisa com coisa, adiava assim seu próximo passo, pois ainda suas mãos agarravam fortemente os trapos que antes o envolvia, quanto tempo ainda permaneceria nessa mesma posição? A mente parecia toda repleta de coisas novas das quais não compreendia, e o esforço de tentar entendê-las lhe causava mais confusão, sentiu uma iminência de choro, e dessa vez chorou por inteiro, o corpo todo se estremeceu e se entregou sem nenhuma piedade a todas essas coisas que não conseguia organizar no pensamento. O corpo tomado de lágrimas escorria e pingava, e continuava, mais e mais, até subitamente parar. Com grande esforço soltou uma das mãos cerradas na coberta, e alisou seu rosto molhado e salgado. Gostou do conforto do carinho autoimposto, era como que redescobrir o prazer do toque, o tato. Enrijecia ao passar a mão liberta pelo pescoço e pelo peito, as dobras dos sovacos sentindo leves cócegas. Entregou-se a uma risada pura, até que mais uma vez algumas lágrimas rolaram, só que causadas pelo espanto da gargalhada. Ouviu sua voz. Voz que achara que perdera, e que louco em seu medo inicial, pensou não possuir mais. Podia falar, podia então gritar. E como se preencheu de prazer ao dar seu primeiro grito, como um uivo que traz aos ouvidos algo que se encontra entre o terror e o desejo. Tomado de uma coragem então descoberta, firmou as pernas em um enlace dos panos para firmá-las, e entre pequenos gritinhos e espasmos de humor meio débil – como as risadinhas de bebês quando recebem cócegas vagarosas na barriga – esticou os dois braços em busca do vazio e balançou o corpo. Fechou os olhos para apenas sentir o movimento. Mais rápido, e mais rápido ainda... não tinha mais como se segurar por causa da velocidade que atingira. Soltou-se, esticou as asas que lhe era o peso do mundo, bateu-as sem saber como. E antes mesmo de encontrar o solo, voou inteiro.

(Said Leoni - 19-mar-2017)

Portifólio Batata Sem Umbigo 2016-2017


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23 de novembro de 2016

Resenha pseudo-crítica do “rascunhos para mais um ensaio sobre a loucura” de João da Silva

“Meu maior temor ao fazer esses quadrinhos – que são poesia, literatura, pontos de vista, bastante ignorância – é alguém tomar o que está aqui como uma verdade absoluta, um dogma, um caminho a se seguir sem autonomia.” - em alguma página do “rascunho 07”

Talvez autonomia seja uma ótima palavra para definir o caminho percorrido nos últimos anos por João da Silva na construção de seus “rascunhos para mais um ensaio sobre a loucura”. Por ser ele um grande amigo meu, de companherismo na vida e no trabalho cartunístico desde a constituição da finada Revista Miséria, pude acompanhá-lo em parte dessa jornada.

A ideia sempre foi, salvo engano, construir um panorama não formal, tendo em vista os moldes meramente acadêmicos, daquilo que se constitui como loucura a partir da leitura da antipsiquiatria. Tendo em vista o objetivo, a pesquisa e o trabalho de investigação a cerca desse vasto tema se deu como se deve dar em uma pesquisa como estas, na vida. Assim sendo, não se bastaram as leituras dos tidos intelectuais e especialistas no assunto, mas também, músicas, filmes, hqs, literatura e poesia se juntariam a essa jornada, não podendo nunca ser colocado de lado, as muitas conversas acaloradas nos bares, regadas sempre pelas cervejas mais baratas dos respectivos recintos.

Fato é que parte desse instigante trabalho ganhou forma há poucos meses com a caprichada publicação, no melhor estilo “rooteira”, desse primeiro volume dos “rascunhos...”. E que imenso prazer foi recebê-lo das mãos do autor-amigo. A leitura feita no melhor estilo “devora-te a ti mesmo” foi recheada pela sensação: “puta-que-o-pariu, depois disso minha carreira como cartunista não tem mais o porque de continuar, o Jão fez tudo! Vou me retirar no meio do mato e viver uma vida asceta em busca da paz interior” - invejinha boa a parte, a leitura foi deliciosa e podemos talvez nos deparar com o trabalho mais bem acabado, do ponto de vista da arte que este autor nos põe em mãos.

Cada traço está bem calculado, a sujeira nos quadros, característica de já alguns anos dos trabalhos de João da Silva está impecável. Pude presenciar parte do trabalho de feitura de algumas páginas desse livro-zine e ver que de muito suor e cachaça se faz uma boa página de hq.

Quanto aos 09 rascunhos que compõem essa obra, destaco o rascunho 04, “umbigolândia”, pela destreza do ser sintético e cortante sem utilizar ao menos um balão de fala, e o rascunho 06, “uma primeira vez”, roteiro há muito tempo colocado em cima da mesa, na época de Miséria e que finalmente ganhou forma, a extrapolação de uma sociedade um pouco diferente, mas tão igual àquela em que vivemos.

Como dito pelo próprio autor, nas palavras que repeti no ínicio dessa resenha, esses “rascunhos...” não devem ser lidos de maneira dogmática, não há verdade contida aqui e sim um trabalho de pesquisa e de opinião que visa refletir com seriedade, e porque não, poeticidade, um tema que pouco vemos aparecer no dia-a-dia, a loucura nossa de cada dia e o que limita essa loucura da loucura que deve ser encarcerada. Por que encarceramos nossos loucos?

Ficamos agora no aguardo de mais rascunhos de João da Silva, que eles venham na velocidade que se deve ser… que a ansiedade aguente essa espera e que possamos continuar cada um sendo loucos a sua maneira.

Como dizia o poeta: “Todo bairro tem um louco que o bairro trata bem, só falta mais um pouco para eu ser tratado também”.

Para conhecer os quadrinhos de João da Silva, clique AQUI!

(Eu e João da Silva e os "rascunhos..." - crédito da foto: Natália Schimiedecke)