2 de julho de 2020

Série "depois da quarentena" (parte 02)

"Não esquecer de me perguntar todo dia em frente ao espelho: quem é excluído com um "novo normal"? Quem ganha o quê com um "novo normal"?

O que é o normal?"

DEZ



ONZE



DOZE



TREZE



CATORZE



QUINZE



DEZESSEIS



DEZESSETE



DEZOITO







1 de maio de 2020

Série "depois da quarentena" (parte 01)

Nesta quarentena de isolamento comecei a fazer uma série de ilustrações sob o título de "depois da quarentena". Além da retomada da produção com determinada constância (pois me propus a publicar três desenhos por semana no meu instagram), o exercício de elaboração dos temas e a decisão de não atribuir-lhes significado (cada desenho é um número na série, não possuem nome, deixando a interpretação do conteúdo das imagens a quem a visualiza) fez-se também como uma forma de pensar e repensar o que está por vir... o que vem depois da quarentena.

Não sei quanto tempo mais durará o isolamento, quem sabe?

Publico agora essa primeira parte da série, com nove ilustrações, no blog porque tem outra coisa que me vem incomodando nesses dias... a saída pelo virtual, como se o virtual bastasse para substituir o vívido e quente calor humano. Cada vez mais e mais aplicativos para nos "ajudar", para nos sentirmos mais inseridos em um mundo cuja saída lógica e boa é sempre a renovação de nossos dispositivos de "união", mesmo que separados. Os discursos que circulam por aí já constatam os fatos, essa crise serve para de repente, e finalmente, nos darmos conta que a passagem para o plano virtual é a solução. Solução desejada e previsível, que apenas as cabeças retrógradas não queriam admitir. Universidade e ensino, trabalho de escritório e burocrático, tudo à distancia, tudo digital, tudo virtual. Sem custos adicionais, na verdade, aumento da produtividade. 

Acho que estamos perdendo um dos sentidos da palavra presença. 

Que me chamem de apocalíptico, mas tudo isso me faz pensar... quantas pessoas teriam que trocar de celulares para essa transformação? Quantas pessoas precisarão atualizar seus aplicativos, precisarão de mais "espaço" e terão em vista adquirir um novo dispositivo para efetivação de sua ferramenta de trabalho? Quantas "atualizarão" seus computadores também, adaptando-os a uma melhor comodidade? Quantas pessoas precisarão mesmo de um celular, dos invisíveis da fila da Caixa que nem cpf possuíam direito, até o mano ou mana que "darão entrada" em uma moto e um celular para o trabalho das entregas e deslocamentos das mercadorias? Pois as mercadorias, essa materialidade não pode parar, mesmo que o próprio dinheiro só esteja na tela.

Aí me bate um paradoxo, não são exatamente esses dispositivos tecnológicos que nos permitem as EADs, os Homeworks, os I-FOODS, que literalmente (não desculpem a expressão) estão fodendo o planeta Terra. Não é exatamente por explorar cada vez mais recursos cada vez mais complexos da natureza, sem mesmo deixar de lado matérias-primas que já vem desgastando o clima há muito tempo (como o petróleo e o carvão), que estão acelerando casos cada vez mais frequentes desses tipos de pandemia, mas também eventos climáticos drásticos (lembrem das chuvas do começo de ano que se estenderam até o período de carnaval que atingiram principalmente o sudeste). 

Quanto mais "dados" circulando (nem entrarei nesse assunto; mais aplicativos, mais dados jogados aos especuladores virtuais, sempre com o nosso consentimento), mais exploração contínua da natureza. 

Virtualizar, ainda mais com esse apelo de solução da tecnologia boa em si, é continuar o processo de autodestruição do planeta, onde os humanos parecem mesmo, em sua cronologia, serem seres mais ínfimos que as moscas, como dizia Nietzsche, mas que são mesmo, menores que os vírus.

Tudo isso para dizer que publico aqui essa série para que xs leitorxs possam, além de visualizá-los em uma maior definição (com o acréscimo das versões em preto e branco), poderão salvá-los em seus dispositivos para não mais apenas "visualizar", mas observar demoradamente seus detalhes, off-line... quem sabe até imprimi-los para colorir (ideias quarentenísticas).

Por fim, tá aí o desabafo, e que não percamos de nosso horizonte, que para mudar as coisas dadas, do ontem e do hoje, e pensar num amanhã realmente diferente, precisaremos de gente junto, lado a lado, muita gente, e precisamos estar fortes, presentes. Diziam que a revolução não seria televisionada no passado, hoje penso que a revolução não poderá ser transmitida on-line, os celulares só serão armas quando tacadas ao encontro de quem está lucrando com tudo isso. E como dizia um grupinho que sempre gostei, a revolução será uma festa, ou não será nada. 

UM



DOIS



TRÊS



QUATRO



CINCO



SEIS



SETE



OITO



NOVE












5 de agosto de 2019

Novos zines na praça!!! - Caderninho Verde e Pequenos fragmentos


Em tempos de crise necessitamos de duas coisas: dinheiro e arte.

Sobre a primeira coisa, bom, a coisa é mais paradoxal; no momento, sugiro, ou, que gastem tudo o que possuem e tentem uma vida sem dinheiro, ou, que dobrem as apostas na lotofácil... esses dois caminhos são difíceis, mas devem ter suas recompensas. Por hora, tenho tentado trabalhar como estudante de filosofia, ler e pensar, repensar e escrever...

Sobre a segunda coisa, vou continuando rabiscando e publicando nessas redes sociais que têm por aí... praticando novos instrumentos, criando pequenos trabalhos junto de grandes parceirxs e amigxs. Praticando também oficinas por aí e a lida de todos os dias de brincar com a arte em um mundo cheio de estranhamentos. E me pergunto novamente, para quê a arte? e vou rabiscando... (recomendo pra todxs vocês! Façam arte.)

Fazia tempo que eu não fazia uma zine... dei um tempo nos quadrinhos para me dedicar aos estudos sobre a possibilidade da existência em mundo tão louco como este, e tenho quadrinhado apenas quando acho importante por em ação esse “fazer” que aprendi com o tempo ... convido a lerem: a cartilha contra a reforma da previdência (clique AQUI) e a cartilha contra a reforma trabalhista (clique AQUI); feitas por inúmeras mãos, cabeças e corpos e vontade de resistir, que tive o prazer de participar.

Neste inverno resolvi por em prática a feitura de dois zines muito especiais para mim.



Em pequenos fragmentos, temos uma seleção enviada por carta dos últimos escritos do poeta recluso anti-internet Said Leoni. São quatro contos distribuídos em 16 páginas, que tive a oportunidade de editar, incluindo capa e algumas ilustrações coloridas que gosto muito.

Em Caderninho verde ou apenas retratos imaginários tento reproduzir na medida do possível, meu último caderninho companheiro de caminhadas, carinhosamente apelidado de caderninho verde, que me acompanhou de janeiro a julho deste ano. Nele, encontramos 36 retratos imaginários.


Mas a prática das zines envolve o papel, o material... aquilo que está para além do simplesmente virtual e da tela. Aí queria conversar com vocês...

Elaborei a impressão dessas zines com um investimento na qualidade, mesmo que com um acréscimo de dinheiro investido relativamente maior comparado às minhas zines anteriores, que em dez anos (2009-2019) não tiveram seu valor de 2 reais alterados, desviando de qualquer inflação possível... para horror dos economistas e empreendedores... (quem não conhece, vejam as zines de forma gratuita AQUI)

E as coisas ficaram assim:

Pequenos fragmentos - Formato: A5, capa em papel verge 120gr. colorida, miolo com 16 páginas. – preço de custo por unidade: R$ 4,50.
Caderninho verde - Formato: Bolso (14,5 x 10 cm), capa em papel verge 120gr, miolo em papel reciclado com 36 páginas. – preço de custo por unidade: R$ 4,30.

Para conseguir circular as zines, estou fazendo uma pré-venda por aqui, quem se interessar, entre em contato! Pensei em três formas de auxilio monetário:

1) Preço camarada: para quem está sem grana, quer as zines mas as coisas estão difíceis, pensei em um valor mais de boa, cobre os custos e dá para investir em outras impressões; cada zine por 10 reais + envio.

2) Preço Justo: é a medida justa, aquele valor harmônico tal qual na Grécia clássica, feito para quem está com uma graninha sobrando e quer investir em mentes criativas; um jeito de se sentir satisfeito e recompensar esse que vos escreve com aquela cachacinha extra, ou um maço de cigarros, uma marmita, um cineminha... essas coisas sabe... o “preço justo” para cada zine é 15 reais + envio.

3) O sonho do Mecenato: esse é para quem não sabe mais como investir seu dinheiro e não se importa em gastá-lo qualquer coisa que aparece na polishop; saiba que você é um privilegiadx e o século XVII pode voltar se você quiser! Invista 50 reais ou mais nessas zines... Aí quem vos escreve poderá viajar por terras desconhecidas para representar os sonhos e delírios dessa humanidade besta, e você poderá dormir tranquilamente no conforto do seu lar sabendo que sim, você ajudou em alguma coisa que nem imagina o que é! Nem eu...

4) Para quem for fanzineirx e tiver uns materiais e queira trocar, vamos conversar... pretendo utilizar a grana da opção 1 para fazer umas cópias com o intuito de trocar materiais e ver como anda a vida em outros cantos desse Brasil doido...

Bom, é isso... se você aguentou chegar até aqui nesta postagem, parabéns! São poucas as pessoas que não se dispersam depois dos 150 caracteres! Se você ainda não está muito ansiosx para mudar de página, ver o instagram, ou a possibilidade de um status novo no whatts... acredito que não aconteceu nada de muito importante no mundo nesses minutos que você estava aqui.

Talvez, então, você queira ouvir a música que segue, da Aíla, que acho muito boa para esquentar o coração nos tempos difíceis, e no fundo, coloca bem melhor em palavras aquilo que gostaria de ter dito no começo mas me perdi...



Ahhh, se você ainda continua aqui... e gostou do papo mole... pode voltar lá pro instagram viu... não vou mais te segurar... dá uma passadinha em https://www.instagram.com/batatasemumbigo/

Há braços e pernas!

10 de março de 2018

Trilogia D.

1. desejo
2. delírio
3. deleite






26 de dezembro de 2017

Mais um ano que termina...

2017 não foi um ano fácil. O mundo explodindo à nossa volta. Perspectivas para o futuro nubladas...

mas eis que esse cartunista que vos escreve decidiu jogar-se à produção e tentar reinventar a própria roda. absorto por um instinto de tranquilidade, dediquei-me a aprimorar-me em novas técnicas, foi com grande felicidade que descobri a magia das aquarelas, ferramenta que vem me conquistando a cada nova pincelada.

o ano está no fim, e temos que estar fortes para encarar esse 2018 que adentra no horizonte. vamos que vamos.

para quem não conhece, tenho utilizado como plataforma para postagens, além desse blog mais quieto, esse endereço aqui: https://www.instagram.com/batatasemumbigo/

fiquem a vontade para conhecer!


01: "a cena - 02" - aquarela e caneta nanquim no caderninho


02: "aureliano" - caneta nanquim sobre folha de papel reciclado; inspirado por Cem Anos de Solidão.


03: "cansada" - caneta de ponta grossa no caderninho.


04: "estudo para realismo-imaginário II" - caneta nanquim no caderninho.


05: "pensando clarice" - aquarela e caneta nanquim.


06: "silhueta noturna" - nanquim aguado.


07: "(des)rosto" - pintura em aquarela.