5 de maio de 2022

Chega de silêncio - uma HQ sobre o genocídio Yanomami



(Clique nas imagens para aumentar o tamanho de visualização)



"Chega de Silêncio" é uma história em quadrinhos feita para ser mais uma arma contra o genocídio dos povos ancestrais que sempre habitaram as nossas terras, e que tanto o governo genocída de Bolsonaro como boa parte da imprensa nacional, não dá nenhuma atenção. 

CHEGA!

Abaixo, segue a lista completa das referências utilizadas neste quadrinho:

Das páginas de 1 a 7, adaptei as páginas 407-408 (primeiro parágrafo do capítulo "Paixão pela mercadoria") do livro A queda do Céu: Palavras de um xamã yanomami, importantíssimo trabalho xamãnico-antropológico realizado pelo contato e amizade de Davi Kopenawa Yanomami e Bruce Albert.
A página 8 foi composta livremente adaptando informações encontradas no Anexo escrito por Bruce Albert no livro acima citado "Os Yanomami no Brasil" e informações do site: https://pib.socioambiental.org/pt/Povo:Yanomami

A página 9 foi composta por trechos de depoimentos de Júnior Hekurari Yanomami e Nana Baré em reportagens do excelente site Amazônia Real. São elas: "Garimpeiros silenciam indígenas para não relatarem estupro e assassinato de menina Yanomami", de Leanderson Lima, publicado em 29 de abril de 2022 - https://amazoniareal.com.br/garimpeiros-silenciam-indigenas/; e; "Nara Baré diz que estupro e morte de menina Yanomami é genocídio institucionalizado" - https://amazoniareal.com.br/nara-bare-diz-que-estupro-e-morte-de-menina-yanomami-e-genocidio-institucionalizado/. Por fim, a fala de Davi Kopenawa foi retirada da páginas 366 de A queda do Céu, no capítulo "O ouro canibal".

A páginas 10 contém trechos do belo texto de Day Molina publicado em seu Instagram (@molina.ela) no dia 4 de maio de 2022.

15 de fevereiro de 2022

Nova Zine na praça virtual - "Recortes de uma pandemia"

 


Salve salve, querides leitores desse blog que só aparentemente parece abandonado por seu autor... projetos futuros pretendem voltar a remecher as coisas por aqui em breve. Acontece que como ultimamente venho publicando minhas ilustrações no instagram (https://www.instagram.com/batatasemumbigo/), acabei por deixar o blog em segundo plano, até porque, a produção de HQs, formato muito bom aqui para o blog, anda bem devagar e com projetos pontuais. 

Mas enfim, venho aqui para anunciar a publicação desta zine de colagens, estou bastante feliz com o resultado... 

"Em meados de 2020, em meio a pandemia de COVID-19 que se espalhava pelo Brasil e de um isolamento praticado por todes que podiam fazê-lo, tomei contato com a prática das colagens através de uma grande amiga. Bom, desse momento em diante, a prática da colagem passou a fazer parte das minhas experimentações artísticas.

Essa zine, “Recortes de uma pandemia”, reúne em uma só publicação todas as colagens feitas em meus cadernos ao longo de 2020 e 2021, que diretamente ou não, tematizam a questão da pandemia e do isolamento social que vivemos. A capa, foi elaborada especialmente para a publicação e a última capa, é uma colagem deste ano intitulada “Corpo-sem-Órgãos”."

Para acessar a zine na íntegra, acesse: 

https://issuu.com/batatasemumbigo/docs/recortes_de_uma_pandemia_-_uma_zine_de_colagens_de

Abaixo, segue a colagem da capa em resolução mais massa!!!

Vamos que vamos!



11 de agosto de 2021

Onírika-Buum (vol. 1) – já disponível para compra!!!

 


Neste último ano de 2020 muita coisa aconteceu no Brasil, sobre isso, creio que a maior parte de vocês queridxs leitorxs estão ligadxs! Pois bem, nesse período de muita insegurança, físico salutar, psicológico perspectivista, uma coisa que aconteceu e que venho guardando em suspenso, é minha participação na HQ Onírika-Buum.

Projeto idealizado pela mente megalomaníaca de Zefel Coff, o Allan Moore brasileiro (na minha humilde opinião), essa HQ diz respeito à um futuro distópico não muito diferente daquele em que vivemos. É uma HQ das brabas!!! Sem rodeios e cheia de muita admiração pelo universo da nona arte. Participa também dessa HQ, o desenhista e ator, Frank Joseph (@sketchdofrank), com seu estilo único inspirado no que há de mais doido das HQs de super-heróis... Foi um prazer imenso estar presente com meus desenhos nessa empreitada.

Pessoalmente, a participação em Onírika-Buum me permitiu o retorno aos quadrinhos, linguagem da qual me afastara um pouco nos últimos anos. Bom, o resultado disto foi o retorno aos quadros e as narrativas dessa linguagem com a qual mantenho imenso carinho. Foi bom demais voltar aos balões e à criação conjunta dessas histórias.

O volume 1 de Onírika-Buum ganhou sua impressão em altíssima qualidade, fruto de muito trabalho e amor pela nona arte, e quem tiver interesse, poderá conferir essa miscelânea anti-sistêmica adquirindo-a por AQUI! Vale a pena também dar uma navegada pela página da HQ para conhecer um pouco do projeto... está demais!!! E para quem tem Insta, segue lá...
@onirikabuum

A ideia do projeto agora é, a partir das vendas, juntar grana suficiente para editar e publicar o segundo volume, finalizando os 12 capítulos idealizados originalmente... fora, criar também histórias paralelas dentro deste riquíssimo universo.

Estamos muito felizes com o resultado do projeto, mostrando que a HQ nacional continua arrebentando por aí... implodindo o sistema quando pode e sempre que possível.

Em breve, a live de lançamento será disponibilizada também... um papo de bar na virtualidade pandêmica. Mas o programa-lançamento na Rádio Ondas Livres já está disponível... ouça AQUI, muito Bob Marley pra noise!!!

Abaixo, para não dar muitos spoilers, coloco a primeira página de cada personagem que participei da criação direta junto do Zefel:

BB Tikinininho, um pequeno bebê de balaclava com um comportamento muito, mas muito suspeito.

A apaixonante Sofia Filomena, uma menina cheia de criatividade e tino detetivesco que nessas histórias terá que lidar com um grande mistério!




Vamos que vamos!!!



24 de maio de 2021

Bolsonaro e o poder grotesco

 


Intolerável... Bolsonaro permanecer no poder, junto de toda sua corja de cúmplices, é cada vez mais intolerável! Bolsonaro exerce um poder grotesco, um poder de morte, um poder de destruição de qualquer futuro por vir. Não queremos morrer. E vivos, queremos um lugar onde seja possível existir. Chega de aceitar seu deboche, bufão odioso – você mata! Mata agora, e também mata o futuro.

Intolerável!!!

Para pensar sobre o poder grotesco, segue algumas palavras de Michel Foucault, na primeira aula de seu curso Os Anormais, de 1974-1975:

Chamarei de "grotesco" o fato, para um discurso ou para um indivíduo, de deter por estatuto efeitos de poder de que sua qualidade intrínseca deveria privá-los. O grotesco ou, se quiserem, o "ubuesco" não é simplesmente uma categoria de injurias, não é um epíteto injurioso, e eu não queria empregá-lo nesse sentido. Creio que existe uma categoria precisa; em todo caso dever-se-ia definir urna categoria precisa da análise histórico-política, que seria a categoria do grotesco ou do ubuesco. O terror ubuesco, a soberania grotesca ou, em termos mais austeros, a maximização dos efeitos do poder a partir da desqualificação de quem os produz: isso, creio eu, não é um acidente na história do poder, não é uma falha mecânica. Parece-me que é uma das engrenagens que são parte inerente dos mecanismos do poder. O poder político, pelo menos em certas sociedades, em todo caso na nossa, pode se atribuir, e efetivamente se atribuiu, a possibilidade de transmitir seus efeitos, e muito mais que isso, de encontrar a origem dos seus efeitos num canto que é manifestamente, explicitamente, voluntariamente desqualificado pelo odioso, pelo infame ou pelo ridículo. Afinal de contas, essa mecânica grotesca do poder, ou essa engrenagem do grotesco na mecânica do poder, é antiquíssima nas estruturas; no funcionamento político das nossas sociedades. [...]

O grotesco é um dos procedimentos essenciais da soberania arbitrária. Mas vocês também sabem que o grotesco é um procedimento inerente da burocracia aplicada. Que a máquina administrativa, com seus efeitos de poder incontornáveis, passa pelo funcionário medíocre, nulo, imbecil, cheio de caspa, ridículo, puído, pobre, impotente, tudo isso foi um dos traços essenciais das grandes burocracias ocidentais, desde o século XIX. O grotesco administrativo não foi simplesmente a espécie de percepção visionária da administração que Balzac, Dostoievski, Courteline ou Kafka tiveram. O grotesco administrativo é, de fato, uma possibilidade que a burocracia se deu. "Ubu burocrata" pertence ao funcionamento da administração moderna, como pertencia ao funcionamento do poder imperial de Roma ser como um histrião louco. E o que digo do Império romano, o que digo da burocracia moderna, poderia perfeitamente ser dito de outras formas mecânicas de poder, no nazismo ou no fascismo. O grotesco de alguém como Mussolini estava absolutamente inscrito na mecânica do poder. O poder se dava essa imagem de provir de alguém que estava teatralmente disfarçado, desenhado como um palhaço, como um bufão de feira.

Parece-me que encontramos ai, da soberania infame da autoridade ridícula, todos os graus do que poderíamos chamar de indignidade do poder. Vocês sabem que os etnógrafos - penso em particular nas belíssimas análises que Clastres acaba de publicar - identificaram esse fenômeno pelo qual aquele a quem é dado um poder e, ao mesmo tempo, por meio de certo número de ritos e de cerimônias, ridicularizado ou tornado abjeto, ou mostrado sob um aspecto desfavorável. Será que se trata, nas sociedades arcaicas ou primitivas, de um ritual para limitar os efeitos do poder? Pode ser. Mas eu diria que, se são esses os rituais que encontramos em nossas sociedades, eles têm uma função bem diferente. Mostrando explicitamente o poder como abjeto, infame, ubuesco ou simplesmente ridículo, não se trata, creio, de limitar seus efeitos e descoroar magicamente aquele a quem é dada a coroa. Parece-me que se trata, ao contrário, de manifestar da forma mais patente a incontornabilidade, a inevitabilidade do poder, que pode precisamente funcionar com todo o seu rigor e na ponta extrema da sua racionalidade violenta, mesmo quando está nas mãos de alguém efetivamente desqualificado. Esse problema da infâmia da soberania, esse problema do soberano desqualificado, pensando bem, é o problema de Shakespeare; e toda a série das tragédias dos reis coloca precisamente esse problema, sem que nunca, acho eu, ninguém tenha elaborado a teoria da infâmia do soberano. No entanto, mais uma vez, em nossa sociedade, de Nero (que talvez seja a primeira grande figura iniciadora do soberano infame) até o homenzinho de mãos trêmulas que, no fundo do seu bunker, coroado por quarenta milhões de mortos, não pedia mais que duas coisas: que todo o resto fosse destruído acima dele e que lhe trouxessem, até ele arrebentar, doces de chocolate - vocês tem todo um enorme funcionamento do soberano infame.


22 de dezembro de 2020

Sonhos pandêmicos

Fui convidado por Ricardo Normanha "Flóqui" para ilustrar um micro conto que ele escrevera. O conteúdo da história era um sonho... um sonho pandêmico, eu diria. Aproveitei para preencher a folha com o máximo de informação que conseguiria transmitir em meio a esses meses de pandemia em que vivemos, quase todas essas situações são reais, se não ocorreram como aparecem, foram engendradas pelos meus miolos que ficaram sabendo que parece que não existe pandemia, não existe vírus... tudo já é o novo normal. Velho normal... 

O link para o conto de Flóqui está AQUI.

Publico o desenho em preto e branco, em alta resolução, para quem quiser brincar de caçar situações. (Clique na imagem para ampliar)



2 de julho de 2020

Série "depois da quarentena" (parte 02)

"Não esquecer de me perguntar todo dia em frente ao espelho: quem é excluído com um "novo normal"? Quem ganha o quê com um "novo normal"?

O que é o normal?"

DEZ



ONZE



DOZE



TREZE



CATORZE



QUINZE



DEZESSEIS



DEZESSETE



DEZOITO







1 de maio de 2020

Série "depois da quarentena" (parte 01)

Nesta quarentena de isolamento comecei a fazer uma série de ilustrações sob o título de "depois da quarentena". Além da retomada da produção com determinada constância (pois me propus a publicar três desenhos por semana no meu instagram), o exercício de elaboração dos temas e a decisão de não atribuir-lhes significado (cada desenho é um número na série, não possuem nome, deixando a interpretação do conteúdo das imagens a quem a visualiza) fez-se também como uma forma de pensar e repensar o que está por vir... o que vem depois da quarentena.

Não sei quanto tempo mais durará o isolamento, quem sabe?

Publico agora essa primeira parte da série, com nove ilustrações, no blog porque tem outra coisa que me vem incomodando nesses dias... a saída pelo virtual, como se o virtual bastasse para substituir o vívido e quente calor humano. Cada vez mais e mais aplicativos para nos "ajudar", para nos sentirmos mais inseridos em um mundo cuja saída lógica e boa é sempre a renovação de nossos dispositivos de "união", mesmo que separados. Os discursos que circulam por aí já constatam os fatos, essa crise serve para de repente, e finalmente, nos darmos conta que a passagem para o plano virtual é a solução. Solução desejada e previsível, que apenas as cabeças retrógradas não queriam admitir. Universidade e ensino, trabalho de escritório e burocrático, tudo à distancia, tudo digital, tudo virtual. Sem custos adicionais, na verdade, aumento da produtividade. 

Acho que estamos perdendo um dos sentidos da palavra presença. 

Que me chamem de apocalíptico, mas tudo isso me faz pensar... quantas pessoas teriam que trocar de celulares para essa transformação? Quantas pessoas precisarão atualizar seus aplicativos, precisarão de mais "espaço" e terão em vista adquirir um novo dispositivo para efetivação de sua ferramenta de trabalho? Quantas "atualizarão" seus computadores também, adaptando-os a uma melhor comodidade? Quantas pessoas precisarão mesmo de um celular, dos invisíveis da fila da Caixa que nem cpf possuíam direito, até o mano ou mana que "darão entrada" em uma moto e um celular para o trabalho das entregas e deslocamentos das mercadorias? Pois as mercadorias, essa materialidade não pode parar, mesmo que o próprio dinheiro só esteja na tela.

Aí me bate um paradoxo, não são exatamente esses dispositivos tecnológicos que nos permitem as EADs, os Homeworks, os I-FOODS, que literalmente (não desculpem a expressão) estão fodendo o planeta Terra. Não é exatamente por explorar cada vez mais recursos cada vez mais complexos da natureza, sem mesmo deixar de lado matérias-primas que já vem desgastando o clima há muito tempo (como o petróleo e o carvão), que estão acelerando casos cada vez mais frequentes desses tipos de pandemia, mas também eventos climáticos drásticos (lembrem das chuvas do começo de ano que se estenderam até o período de carnaval que atingiram principalmente o sudeste). 

Quanto mais "dados" circulando (nem entrarei nesse assunto; mais aplicativos, mais dados jogados aos especuladores virtuais, sempre com o nosso consentimento), mais exploração contínua da natureza. 

Virtualizar, ainda mais com esse apelo de solução da tecnologia boa em si, é continuar o processo de autodestruição do planeta, onde os humanos parecem mesmo, em sua cronologia, serem seres mais ínfimos que as moscas, como dizia Nietzsche, mas que são mesmo, menores que os vírus.

Tudo isso para dizer que publico aqui essa série para que xs leitorxs possam, além de visualizá-los em uma maior definição (com o acréscimo das versões em preto e branco), poderão salvá-los em seus dispositivos para não mais apenas "visualizar", mas observar demoradamente seus detalhes, off-line... quem sabe até imprimi-los para colorir (ideias quarentenísticas).

Por fim, tá aí o desabafo, e que não percamos de nosso horizonte, que para mudar as coisas dadas, do ontem e do hoje, e pensar num amanhã realmente diferente, precisaremos de gente junto, lado a lado, muita gente, e precisamos estar fortes, presentes. Diziam que a revolução não seria televisionada no passado, hoje penso que a revolução não poderá ser transmitida on-line, os celulares só serão armas quando tacadas ao encontro de quem está lucrando com tudo isso. E como dizia um grupinho que sempre gostei, a revolução será uma festa, ou não será nada. 

UM



DOIS



TRÊS



QUATRO



CINCO



SEIS



SETE



OITO



NOVE